Em 92, no seu primeiro ano de Open, Armando Daltro não conseguiu uma das 6 vagas do time brasileiro para disputar o Mundial Amador da França, quando quase desiste da carreira de surfista, decidiu que iria como última tentativa participar do Seaway Classic, que ocorreria em Maracaipe. Chegou na semi-final e descolu o patrocínio para disputar o Circuito Brasileiro de 93, começou com o pé direito e terminou o ano de Top 16. Na seqüência partiu para disputar o Mundial e classificou-se em 96. A partir de então Mandinho tem evoluido constantemente e foi o Campeão do WQS em 2000. Dono de um surf de snaps fortes de front e uma batida de back certeira, Mandinho nos fala um pouco da sua carreira até aqui.
SURFCORE: Você não teve uma excelente carreira a nível nacional como amador, mas logo depois de se profissionalizar você foi Campeão Nordestino Profissional em 92 e depois ganhou o WQS de Fortaleza em 93, você esperava que sua carreira começasse a despontar a nível nacional logo após a profissionalização?
ENTREVISTADO: Bom,decidi me profissionalizar no meio de 92 porque não tinha mais chances de ir para o Mundial Amador daquele ano e sabia que eu tinha potencial para disputar os eventos profissionais, pois no ano de 91 havia feito dois main event (evento principal) no Brasileiro Profissional (Seaway Classic no Cupe e Sea Club Final Heat em Natal) e tinha ganho o Seaway Trials no mesmo ano. Sabia que seria difícil como pró, mas acreditei em mim e me dei uma última chance. No Seaway de 92 em Maracaípe fiquei em 5º e além do excelente resultado ganhei o patrocinio da Seaway de quebra, daí em diante deu tudo certo na minha carreira. Não esperava que tivesse os resultados tão rápido.
SURFCORE: Quando começasses a correr o WQS em 94, achavas que em dois anos de circuito conseguirias entrar para o WCT?
ENTREVISTADO: Não. Na verdade em 94 corri apenas no Peru, África e Portugal e não fui bem no ranking. Para mim, meu primeiro ano foi em 95 pois fui para várias etapas na Austrália, África, Europa, América do Sul e Hawaii, todas com o Gugu (Gustavo Aguiar). Esse primeiro ano serviu de experiência, eu terminei na 86ª posição e o Gugu quase entrou.
No ano seguinte meu patrocinador me manteve no WQS sem salário e tive que correr atrá de bons resultados para poder correr todas as etapas, sabia que seria a minha última chance. Acreditei que dava para entrar ou chegar muito perto e graças a Deus acabei entrando.
SURFCORE: Em 96, 97 e 98, você só conseguiu a classificação nas reta finais que aconteceram no Brasil, de certa forma foi um bocado arriscado, pois Danilo Costa e outros caras já chegaram certas vezes de forma semelhantes e não conseguiram se classificar. Foi difícil segurar a pressão?
ENTREVISTADO: Foi muito difícil. Sabia que se desse um vacilo eu estaria fora do WCT. Graças aos eventos de Recife onde eu sempre fui muito bem é que consegui me segurar naqueles anos.
SURFCORE: A partir de 99, a história mudou e você já estava garantido até o meio do ano e para completar estava liderando o ranking quando quebrou o braço jogando bola. Como foi esta história?
ENTREVISTADO: Eu tinha acabado de voltar da Europa e era aniversário do meu irmão, foi toda a família e alguns amigos para uma ilha e lá rolou um baba (futebol), acabei caindo de mau jeito e quebrei o braço. Foram dois meses de molho. Perdi a liderança do WQS e algumas posições no WCT, consegui terminar em 4º no WQS e em 28º no WCT.
SURFCORE: De certa forma você se machucou no ano que poderia, pois já estava classificado para o WCT. Você ainda continua jogando bola?
ENTREVISTADO: Não, prometi para mim mesmo que não jogaria mais, pois o surf além de ser o esporte que mais gosto é a minha profissão e não posso arriscar minha carreira. Vou jogar minha bolinha depois dos 40...
SURFCORE: O ano passado foi o seu melhor ano, pois além de ter sido Campeão do WQS, ainda classificou-se pelo próprio WCT. Acredito que você é o brasileiro que mais evolui nos últimos 5 anos, o que você acha que mudou ao longo destes anos no seu surf?
ENTREVISTADO: Coloquei um pouco mais de linha e também mais força no meu surf. Quando entrei no WCT não passava nenhuma bateria, perdia as vezes por falta de surf e outras pelo julgamento tendencioso para alguns tops. Fui forçado a melhorar pois do contrário estaria fora.
SURFCORE: Você lançou um site no ano passado, o www.armandodaltro.com.br, de quem foi esta idéia e quais são os planos atuais e futuros sobre o site?
ENTREVISTADO: Partiu de Cleber de Castro que é um amigo de infância, ele começou a trabalhar na aréa e se ofereceu para construir o meu site. Nossa proposta é a de divulgar o que rola no mundo surf e principalmente manter um contato maior entre mim e as pessoas que admiram meu trabalho, estou tentando passar para as pessoas o que nós competidores vivemos no Circuito Mundial, além de mostrar fotos dos melhores picos do mundo.
SURFCORE: Lembro quando você disputou seu primeiro Brasileiro Amador em 88 quando era mirim, que rolou em Porto de Galinhas (PE), como foi a experiência?
ENTREVISTADO: Fui com o cara que fazia minhas pranchas, meus pais também estavam e esse era meu primeiro evento fora de Salvador, eu já tinha 15 anos e foi uma surpresa ter chegado na final. Pena que fiz interferência, pois poderia ter ganho. Nesse evento consegui o patrô da Cyclone, que foi o pontapé da minha carreira.
SURFCORE: Aconteceram coisa incríveis neste mês com os atletas. Primeiro Vicor Ribas jogou pedras nos juízes nas Maldivas, depois Sunny Garcia agrediu um fotógrafo no Rio e para completar Occylupo quase foi preso por estar fumando maconha antes de disputar a final do Arpoador e que terminou saindo na imprensa. Você acha que vai haver algum tipo de punição para este atos?
ENTREVISTADO: Acho que sim. Cada caso deve ser julgado separadamente pela comissão disciplinar da ASP.
Se quisermos comparar o Surf com os grandes esportes, teremos que nos organizar e educar para sermos reconhecidos.
SURFCORE: Para completar mande sua mensagem final para a galera do Surfcore.
ENTREVISTADO: Continuem com o trabalho de vocês que o site está show e todos estão gostando muito. Obrigado pela entrevista.
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